Loteria

Hoje foi dia de exames de rotina. De cara, eu já te digo: este termo não se aplica mais à gente. Rotina? Isso era antes – quando não havia maior “pré-ocupação” com o que ia sair nos resultados. 

De verdade, de verdade mesmo, faz pouco tempo eu nem sabia direito o que era fígado, rim, vesícula, ovário e todas as outras coisas internas. Agora enfrento atentados da gramática médica como : fascite plantar, esteatose hepática, diabetes mellitus. 

Dentro deste corpo que habito há mais de 50 anos começam a aparecer umas coisas esquisitas – fora também, ia me esquecendo – e os exames “de rotina” mais parecem jogo de loteria. É rezar pra não dar nada errado!

E não vem me dizer que comer direito, fazer exercícios e não beber garante saúde perfeita que é outra mentira que contam por aí. Certamente ajuda, mas atire a primeira pedra quem não tem um diacho de um amigo que fez tudo errado na vida e está aí gozando de pleno vigor, enquanto o outro todo certinho anda capengando.

Momento tenso. Parece que vão me aplicar  um teste surpresa sem eu ter estudado nada da matéria antes…

E foi dada a largada. Começa a corrida de obstáculos tendo que preencher, na recepção, um questionário que parece mais pra tirar um “nada consta”, tipo checar seus antecedentes criminais pra saber se você é ficha limpa. Tem umas perguntas bizarras sobre você e sua família – como se alimentam, onde vivem, como se reproduzem.

Aí depois a gente entra numa salinha pra se trocar – mas eu acredito que ali seja uma espécie de sala de quarentena ou de interrogatório – porque é um cubículo que faz um calor do caramba, onde só tem uma cadeira e um espelho. Este espelho, aliás, juro que é daquele tipo falso, onde as pessoas ficam te olhando lá do outro lado, pra rir (óbvio), porque a gente fica muito ridícula naquele roupão estilo saco ou, como diria uma amiga, tipo provolone amarradinho.

Finalmente começam as experiências – quase genéticas – e vão te enfiando um monte de coisas nos buracos todos. Passam uma meleca de um gel que quanto mais se limpa, mais se espalha. E te colocam em máquinas de espremer, de torcer, de chacoalhar. Você não é mais gente. Vira rato de laboratório!

Final. Entendi porque, tão gentis, as atendentes te falam “graças a Deus que você nunca teve nada”. É pra fazer você celebrar por, até aqui, sempre ter derrotado esse jogo de azar, onde vence quem não ganha um aviso de uma doença.

Resultados só semana que vem, mas eu colei na prova: fui perguntando a cada médico o feedback pós exame e parece que – ufa – “está tudo bem, obrigada!”

Kátia Galvão em 50etcetera

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