Do jeito que elas querem

Descrição do dia perfeito: almoço e cineminha com amigas. Muito papo e gargalhadas ilimitadas. DO JEITO QUE ELAS QUEREM foi a desculpa da vez. Sinopse? São quatro mulheres, por volta dos 60 anos, que decidem ler o romance “Cinquenta Tons de Cinza”, o que faz com que elas experimentem uma baita reviravolta.

Do jeito que elas (nós) querem (os) – que jeito é esse afinal?

Queremos ser bem-sucedidas e poderosas – mas também queremos alguém que nos cuide (e não aposte nos filhos, pois eles irão atrás das próprias vidas). Queremos um companheiro que nos espere, que saiba de nossos defeitos e nos ame apesar deles. Queremos a insistência do desejo que nos torna urgentes e únicas. Queremos sensação de relevância, meio provinciana, meio medíocre, porém melhor – e maior – do que qualquer fronteira que nos propuséssemos a desbravar em nome do sucesso profissional.

Isso é a empresária Vivian, de Jane Fonda, quem ensina.

Queremos uma missão. Um trabalho que nos torne relevantes, que nos preencha de sentido. Queremos debates inteligentes. Queremos deixar nossa marca para a posteridade. Mas também queremos paixão e farra. Queremos relações sem compromisso. Queremos conhecer pessoas engraçadas e pagar micos. Queremos o inesperado. Queremos o que jurávamos que não queríamos.  E nos livrar de rótulos.

Isso é a juíza Sharon, de Candice Bergen, quem ensina.

Queremos nos orgulhar de nossa prole. Ter certeza de que educamos para o bem. E ter netos. E tomar conta das plantas. Queremos uma casa pacata e tranquila. Queremos um pet. Mas também queremos nos sentir desejadas. Queremos novidades. Queremos bagunçar a cabeça e colocar todas as nossas teorias por água abaixo por causa de uma aventura. Queremos mudar de estado e largar tudo para estarmos resumidas a um mísero reboque com as nossas tralhas. Queremos ter coragem de abandonar a rotina que levamos a existência inteira construindo.

Isso é a Diane, da Diane Keaton, quem ensina.

Queremos um relacionamento sólido, um parceiro ideal, correto, sem sustos. Mas também queremos um Christian Grey que desperte a nossa deusa interior e nos leve à loucura. A gente quer o pacote completo: fidelidade, honestidade, simplicidade, mas ainda charme e sedução. E só mais tarde é que entende que “50 tons” não é sobre fantasias eróticas e sexo selvagem, é sobre o amor de dois seres humanos. Simples assim!

Isso é a Carol, da Mary Steenburgen, quem ensina.

Queremos amigos à beça e um povaréu pra conviver. Mas a verdade é que, se o bicho pega, uma ninharia estará lá. No começo, alguns, por curiosidade. Depois, por solidariedade, um grupo menor. Até ficar somente quem te tem sincera e insubstituível amizade. Exatamente quando você descobre que quer igual: os poucos e bons. E que viver é um eterno renascimento – cheio de inúmeras possibilidades – ao lado de quem vale a pena realmente estar.

Isso aprendi com as amigas mesmo – não apenas, mas inclusive essas – com as quais passei momentos maravilhosos!

Por Kátia Galvão em 50etcetera

Um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s