Wannabe

Super entendo quando alguém me fala da vontade de querer ser absolutamente diferente do que é. De fazer umas bobeiras meio “café com leite”, das que não machucam nem prejudicam ninguém. De experimentar coisas estranhas à mediocridade da rotina. De perder o bom senso. De rasgar a coerência. De ousar e abusar de uma vida que não é a sua normalmente.

Tem certas ocasiões que eu quero ser outra e pronto. Ou ter a liberdade de assumir trocentos papeis. E se algum fulano me acusar de estar “perdendo o foco ou o juízo”, se dane!

Quando viajo realizo um pouco dessas fantasias. Dá pra brincar de “wannabe” na boa. Wannabe famosa. Wannabe rica. Wannabe uma popstar. Wannabe dançarina. Wannabe atleta. Tipo: se jogar ao mar sem saber nadar e mergulhar. Ou fazer topless se quiser. (Ninguém te conhece mesmo). Ou num dia bancar a descolada, noutro simular riqueza e finesse. Por si só, se está passeando – principalmente em outro país – já dá pra bancar a fake total. Duvido que alguém aja ou pense como se estivesse em casa. E, já que este prazo vai acabar mesmo, então vambora extrapolar nos personagens.

Acontece que a gente volta. E daí tem a DPF. Pra quem não está familiarizado: “depressão pós férias”. Significa encarar a si mesmo, seus desejos e sua vidinha normalzinha. Pagar as contas, lavar a louça, tirar o lixo. Se não tem uma atividade fixa, como eu atualmente, dá mesmo um tédio sem tamanho, porque daí ninguém mais te obriga a nada: nem a levantar e seguir.

Em algum momento wannabe vai voltar com outros quereres: mais profundos, mais sérios. Wannabe pesquisadora ou cientista – pra descobrir a cura de uma doença fatal. Wannabe um político honesto – pra consertar esta bagunça que está a sociedade. Wannabe uma ativista. Necessidade nenhuma de explicação.

Por enquanto tô na entressafra. Encolhida igual a uma lesma dentro do caramujo. Urso hibernando. Meio lagarta antes de virar borboleta. Mas já já passa.

Pra isso tenho a escrita. Pra mim é terapêutica. Resolve quase tudo.

É aqui mesmo que eu me revelo, me reinvento, me reconstruo. Me conserto, me remendo. Me expresso. Aqui wannabe o que, como e quando eu quiser! (Felizmente, porque eu nunca coube em mim de qualquer modo!)

Kátia Galvão em 50etcetera

28/08/2019

2 comentários

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