Amnésia Vocabulística

Um dos deslizes mais constrangedores que já vivi com o inglês, desde que comecei a falar o idioma, foi o que eu costumo chamar de “amnésia vocabulística”. Para quem não tem a menor ideia do que eu quero dizer, vou explicar: amnésia vocabulística é o famoso “deu branco”.

Sabe aquela hora em que você está no maior papo com o gringo, usando toda a fluência possível e, de repente, esquece como se fala uma palavrinha de nada? Pois bem, é isso!

Em outras palavras, essa lacuna no vocabulário pode acontecer com qualquer um, quando menos se espera, ainda que tenha se preparado por anos seguidos. Eventualmente se dá com vocabulário ou expressões que não são muito utilizadas no dia-a-dia, nem com tanta frequência. Mas quem nunca? Faça um paralelo com sua língua materna e se pergunte quantas vezes uma palavra em português “escapou” também.

A boa notícia é que dificilmente esta palavra será perdida uma segunda vez. É que o peso desse blecaute fica tão evidente em nossa memória que o cérebro entende como uma marca. Daí que este episódio acaba funcionando como um gatilho para ela nunca mais ser esquecida de novo. É assim que vamos então ampliando nosso vocabulário!

O que pode agravar a amnésia vocabulística:

Algumas atitudes, no entanto, podem contribuir para agravar a situação e transformar, o que seria apenas um acontecimento corriqueiro, num verdadeiro problema. Fique atento para não cometer alguns erros clássicos:

– Excesso de autocrítica – quando a pessoa se cobra demais, acontece uma espécie de bloqueio natural. É tanto medo de errar ou de cometer gafes que o mais prudente acaba sendo permanecer na sua zona de conforto, sem arriscar nem mesmo um diálogo básico.  Atenção: limitar-se a responder perguntas com um YES ou NO em nada irá ajudar a desenvolver a fluência no novo idioma.

– Busca da perfeição – outro jeito de “empacar” na conversação é se preocupar excessivamente com a construção da frase perfeita. Lembre-se: só se aprende através de tentativa e erro. Por outro lado, vale a pena soltar o verbo, mesmo que com pequenos erros, mas avançar na comunicação.

– Pensar na “língua mãe” – a pior maneira de tentar aprender um idioma é ancorando-o à sua língua materna. O tempo que se leva pensando em português primeiro para depois verter a frase para o inglês, por exemplo, é suficiente para travar de vez. Ora, cada linguagem tem seus próprios códigos e tentar adequá-los a outros só gera desgaste e ineficácia. Ligue a tecla SAP do cérebro e vá direto ao ponto!

O que pode ajudar a amenizá-la:

– Manter a calma e a autoconfiança – aos ansiosos de plantão, um alerta: respirar fundo e manter o equilíbrio é sinônimo de sucesso. Coloque esse tema na perspectiva certa: é só uma conversação entre duas ou mais pessoas, nada mais que isso! Confie no que você aprendeu até aqui. Acredite no seu potencial de crescimento e siga em frente!

– Ser “cara de pau” – já reparou que existem pessoas que falam cheias de sotaque ou misturam inglês com português e, acredite, não estão nem aí? Já percebeu a fluência delas? Pois bem, acima de tudo elas sabem que não são nativas do país e que, portanto, não serão condenadas por isso. Então, fica a dica: seja mais “cara de pau” e arrisque-se!

– Dizer de outra maneira – ok, você vai experimentar todas as dicas acima, mas e se esquecer mesmo uma palavra importante? Simples: diga de outra maneira! Explique a seu interlocutor algo do tipo: “aquele negócio que se usa para fazer aquele treco”. Ele vai entender e, como consequência, vai dizer o nome correto para que você passe a usá-lo com propriedade no futuro.

Por fim, estudos comprovam que falar mais de um idioma desenvolve nossa capacidade intelectual como um todo. Resumindo: nos torna mais inteligentes. Agora me conta:  é ou não é um baita estímulo para que a gente não desanime?

Kátia Galvão

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