O peso da consciência

Eu hoje esqueci de colocar a máscara! Saí sem ela, na maior tranquilidade, pra pedalar. Quando me dei conta já estava praticamente no meio do caminho que costumo percorrer. E aí foi que ela apareceu: a consciência! Ela ficava gritando na minha cabeça: “volta e faz o certo”! Mas não era a única. Outra força me dizia: “que que tem? Agora vai até o final assim. Só hoje”.

Minha consciência não estava presente quando eu esqueci a máscara! Não estava porque não havia a ciência, a compreensão, da situação em si. Eu simplesmente não percebi. Estava desligada, com o pensamento vagando longe, escutando música.  Mas, no momento em que me conectei com o entorno, com o além de mim mesma, ela se manifestou: consciência, a implacável.

Talvez eu pudesse ter sido salva pela rotina, pelo hábito, que é quando o cérebro economiza neurônios e faz as coisas automaticamente sem a gente perceber. Porém, no meu caso, esse gatilho não deve estar pronto pra disparar ainda, porque, se até mesmo o “sair de casa” é novidade, que dirá com o uso de EPI.

Consciência. Consciência é aquela voz que não te deixa em paz até que você preste atenção nela. É aquilo que não se pode ignorar, a não ser que você seja completamente alheio à percepção do que é certo ou errado (e como aí já entra no campo das psicopatologias, deixa quieto!)

Consciência. É possível tentar ignorá-la, mas não impedir que ela se manifeste. Posso, por decisão individual ou por influência coletiva, deturpá-la, confundir-me, mas nunca deixar de reconhecer sua existência ou banalizar seus efeitos e consequências – para mim e para os outros.

Consciência vem do conhecimento ou da percepção do que é ético ou moralmente aceitável. É instrumento regulatório para se viver consigo mesmo e numa comunidade de pessoas. Consciência é da ordem do “se dar conta”, do “cair em si”. Com ela não se negocia, não se faz trato. É mais ou menos do tipo: mesmo que ninguém saiba de nada, eu sei.

E foi então que eu voltei. Peguei a máscara e comecei todo o caminho do zero. E, quer saber? Foi ótima essa decisão. Minha bike parecia ter uma tonelada a menos!

Kátia Galvão

Em 50etcetera

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